Para o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, as investigações e ações policiais devem ser mais direcionadas ao verdadeiros líderes de organizações criminosas

O secretário extraordinário de Articulação da Cidadania do Estado do Pará, Ricardo Brisolla Balestreri, reabriu, nesta quinta-feira (23), o ciclo de palestras no III Seminário Internacional de Segurança da Amazônia (SISAM). Em seu discurso abordou as falhas do sistema de segurança do Brasil, falou sobre a carência de investimentos do Governo Federal, a importância dos atores de segurança no país e ressaltou da importância do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que foi sancionado em junho de 2018.

De acordo com Balestreri, os profissionais da segurança pública são as autoridades de um estado democrático de direito e pontas no combate diário ao crime organizado, que devem ser valorizados pela sociedade e, principalmente, pelo Governo Federal. “A Segurança Pública não é prioridade do Governo Federal e nunca foi, o policial, o bombeiro, o guarda municipal e outros agentes se souberam da sua importância eles conseguem lidar com qualquer nação, esse evento é muito importante e histórico para afiar o machado e discutir as políticas de segurança”, explicou.

O palestrante, que possui sete livros publicados sobre temas da educação, cidadania, direitos humanos, segurança pública e polícia, iniciou o discurso citando um discurso e comparando com a segurança pública no Brasil. Segundo Balestreri, o III SISAM é um evento histórico e único que tem como objetivo concentrar discussões para o aprimoramento das políticas públicas adotadas no combate ao crime organizado. De acordo com ele, o SUSP é um dos principais programas para reformar as políticas públicas e melhorar o sistema de segurança no Brasil.

“Vou começar meu discurso citando uma metáfora, do lenhador que queria muito derrubar uma árvore com um machado, passou o dia tentando e não chegou nem na metade. Um pescador viu tudo isso, sentou, observou e aconselhou o lenhador a parar o trabalho e afiar o machado. Então, essa metáfora é a Segurança Pública do Brasil, o lenhador é o profissional da segurança, que está ali corajosamente, tentando a todo custo derrubar a árvore do crime. O sistema de Segurança Pública é o machado sem fio que precisamos ter coragem para parar e afiar”, esclareceu.

Balestreri explicou também sobre a importância da reformulação das ações policiais no combate ao crime organizado. “O policial que está na ponta, ele olha e diz o seguinte: “Me sinto enxugando gelo”, o sistema não funciona, não vamos chegar a lugar nenhum, esses líderes de facção, Fernandinho Beira Mar, Nem, não são líderes de coisa nenhuma, os verdadeiros líderes são pessoas inteligentes, elegantes, infiltrados em instituições públicas e privadas, estamos procurando embaixo, a raiz do crime vem de cima”, enfatizou.

SUSP

Como principal tema do primeiro ciclo de palestras no segundo dia de Seminário, Balestreri explicou que o Sistema Único de Segurança Pública é uma tentativa de realizar um trabalho conjunto com todas as forças de segurança. “É uma tentativa de oficializar coisas que seriam óbvias, trabalho integrado com todos, deveria integrar todas as informações de inteligência brasileira, que seria um passo histórico. Todas essas atividades do SUSP foram evoluindo, mas não consolidaram porque houve resistência do Governo Federal”, finalizou.